A Blizzard acaba de revelar detalhes bombásticos sobre a próxima expansão de Diablo 4, e enquanto há muito motivo para comemorar, existe um detalhe que está gerando polêmica na comunidade. A desenvolvedora confirmou que TODAS as classes receberão 40 reworks completos de habilidades e mais 80 modificações adicionais - um número absurdo de conteúdo gratuito. Porém, há uma pegadinha que pode deixar muitos jogadores frustrados: quem não comprar a expansão ficará ainda mais para trás do que nas DLCs anteriores.

Antes de entrarmos na polêmica, é importante reconhecer o tamanho dessa atualização. Estamos falando de uma reformulação completa da árvore de habilidades de todas as classes, com mudanças tão significativas que transformam completamente a forma como você constrói seu personagem. Mas será que a Blizzard exagerou ao criar uma divisão tão grande entre quem compra e quem não compra a expansão?

A Revolução Gratuita nas Árvores de Habilidade

Vamos começar pelo lado positivo, porque realmente há muito o que celebrar. A Blizzard está implementando a maior reformulação de habilidades da história de Diablo 4. Todas as sete classes receberão 40 reworks completos de skills e 80 novas variações de habilidades - e isso é totalmente gratuito, independente de você comprar ou não a expansão Lord of Hatred.

A mudança visual já impressiona: a árvore de habilidades atual será drasticamente expandida, ficando visivelmente maior e mais complexa. As passivas que conhecemos foram removidas e redistribuídas em outros sistemas do jogo, como talismãs, o tabuleiro de Paragon, aspectos lendários e itens únicos. Essa mudança libera espaço para algo muito mais interessante: habilidades ativas com múltiplas variações.

Um dos exemplos mais empolgantes é o Necromante. As skills de invocação, que antes funcionavam quase como passivas, agora são habilidades ativas completas. O Guerreiro de Esqueletos virou uma skill verdadeira com sete opções de modificação diferentes. O mesmo aconteceu com o Mago de Esqueletos e até com o Golem - cada um agora possui múltiplas formas de ser customizado e utilizado em combate.

Diablo 4: Expansão Traz Mudanças Massivas

O Problema: 20 Modificações Exclusivas Para Quem Pagar

Aqui é onde a situação fica complicada. Depois de anunciar todo esse conteúdo gratuito, a Blizzard revelou que jogadores que comprarem a expansão Lord of Hatred receberão 20 opções adicionais de modificações de habilidades transformadoras. Não estamos falando de skins, mascotes ou títulos decorativos - estamos falando de mecânicas de gameplay que podem definir builds inteiras.

Essas 20 modificações exclusivas aparentemente funcionam como quadradinhos extras que você pode selecionar em cada habilidade, permitindo customizações que simplesmente não existirão para quem não comprar a expansão. Imagine descobrir uma build incrível em um guia ou vídeo, ficar empolgado para testar, e então perceber que não pode porque uma das modificações essenciais está trancada atrás do paywall da expansão.

A questão não é se a Blizzard tem o direito de vender conteúdo - expansões sempre fizeram parte da franquia Diablo. O problema é o quanto essa divisão afeta a experiência de quem escolhe não comprar. Diablo 2 sem a expansão não tinha runewords e classes novas. Diablo 3 sem Reaper of Souls era praticamente outro jogo. Vessel of Hatred já criou uma lacuna com a Spirit Born, runas e mercenários. Mas agora, com Lord of Hatred, a diferença pode ser ainda maior.

A Tempestade Perfeita de Conteúdo Pago

O que torna essa situação mais delicada é que essas 20 modificações exclusivas não vêm sozinhas. Elas são apenas mais uma camada em uma pilha gigantesca de conteúdo exclusivo para quem comprar a expansão. Vamos listar tudo que ficará trancado:

Os Talismãs prometem ser um dos sistemas mais impactantes já introduzidos no jogo. Com a possibilidade de formar conjuntos de até cinco partes, os bônus são absurdos. Apenas com duas peças do mesmo conjunto de Marksman, você pode obter até 60% de dano multiplicador que se acumula constantemente. Com cinco peças completas, os números se tornam estratosféricos. E se você quiser combinar múltiplos conjuntos? Estamos falando de centenas de porcentagem de dano multiplicador ativo o tempo todo, sem contar os efeitos únicos especiais.

O Cubo de Kanai retorna como outro pilar exclusivo da expansão, permitindo extrair e aplicar poderes de itens lendários de formas que simplesmente não existem no jogo base. A mudança completa no sistema de endgame também fica restrita a quem pagar, com novos modos que modificam drasticamente a progressão e dificuldade de todo o conteúdo existente.

Adicione a isso duas novas classes extremamente poderosas, uma área completamente nova com história original, e um endgame secreto prometendo recompensas raríssimas. Quem não comprar a expansão já estará jogando essencialmente um jogo diferente - um Diablo 4 “lite” comparado ao que os donos da expansão experimentarão.

A Chicotada Extra Desnecessária

Aqui está o cerne da questão: será que realmente precisava dessa 20ª chicotada? Os jogadores que optarem por não comprar a expansão já estarão significativamente atrás em termos de poder, opções de build e conteúdo disponível. O Cubo de Kanai sozinho já seria motivo suficiente para criar FOMO (fear of missing out). Os Talismãs representam um salto massivo de poder. O novo endgame oferece progressão que simplesmente não existe no jogo base.

Nesse contexto, adicionar 20 modificações exclusivas de habilidades parece excessivo. Se a Blizzard tivesse anunciado simplesmente: “Todas as classes ganham 40 reworks e 80 novas modificações de habilidades de graça”, a recepção seria universalmente positiva. É conteúdo suficiente para ser uma atualização de temporada gigantesca por si só. Ninguém reclamaria de receber isso gratuitamente.

O problema surge exatamente na comparação. Quando você tem acesso a 80 modificações mas sabe que existe um universo paralelo com 100 modificações disponíveis para outros jogadores, a sensação é diferente. Não é sobre o valor absoluto do que você está recebendo - é sobre a percepção de estar perdendo algo que poderia completar sua build perfeita.

Perspectiva: Expansões Sempre Foram Assim

É importante manter a perspectiva de que Diablo nunca foi um jogo competitivo no sentido tradicional. Não existem campeonatos de Diablo 4 como acontece com League of Legends, Dota ou Counter-Strike. É fundamentalmente um jogo cooperativo onde a comparação direta entre jogadores não é o foco principal da experiência.

Toda expansão de Diablo historicamente trouxe mudanças que criaram divisões entre quem comprou e quem não comprou. A diferença é que desta vez a Blizzard está sendo mais transparente sobre exatamente o que fica trancado. Em vez de descobrir organicamente que certas builds não funcionam sem a expansão, você já sabe de antemão que existem modificações específicas que nunca terá acesso.

Para muitos jogadores, especialmente aqueles que já planejavam comprar a expansão de qualquer forma, isso não muda nada. O volume de conteúdo justifica o investimento, e as 20 modificações extras são apenas mais um bônus em uma lista já extensa de novidades. O problema é para quem está no limite, considerando se vale a pena ou não investir.

Será Possível Jogar Sem a Expansão?

A resposta honesta é: sim, mas. Tecnicamente, você terá acesso a toneladas de conteúdo novo. Os 40 reworks de habilidades e 80 modificações adicionais são suficientes para reinventar completamente como cada classe funciona. O filtro de loot melhorado chegará para todos. O aumento do level cap para 70 também será universal. Haverá builds viáveis e poderosas disponíveis sem pagar nada extra.

Mas psicologicamente? Vai ser mais difícil. Quando você vir guias de build que dependem de modificações exclusivas da expansão, quando perceber que certos sinergias só funcionam com Talismãs, quando notar que os jogadores com a expansão progridem mais rápido através dos novos sistemas de endgame - a sensação de estar ficando para trás será constante.

A Blizzard está essencialmente criando dois Diablos paralelos: o Diablo 4 base, que receberá atualizações significativas e continuará jogável, e o Diablo 5 disfarçado que será a experiência completa com a expansão. A distância entre essas duas versões nunca foi tão grande.

O Veredito: Generosidade com Ressalvas

É inegável que a Blizzard está sendo generosa ao disponibilizar 40 reworks e 80 modificações gratuitamente. Esse volume de mudanças poderia facilmente ser vendido como parte essencial da expansão, e muitos jogadores pagariam sem reclamar. A decisão de tornar isso universal mostra que há preocupação em manter o jogo base atualizado e relevante.

Mas as 20 modificações exclusivas parecem um passo além do necessário. Com todo o conteúdo já trancado atrás da expansão - Talismãs, Cubo de Kanai, novas classes, novo endgame - essa camada adicional de exclusividade em mecânicas fundamentais de gameplay parece mais uma forma de forçar a compra do que uma recompensa justa para quem investe.

O sentimento geral é que a Blizzard acertou na quantidade de conteúdo gratuito, mas errou ao adicionar essa divisão artificial nas árvores de habilidade. Seria mais elegante manter todas as modificações de habilidades universais e deixar que os sistemas exclusivos (Talismãs, Cubo, etc.) fossem o diferencial da expansão. Dessa forma, todos os jogadores teriam acesso às mesmas ferramentas fundamentais, mas apenas quem comprasse teria os brinquedos extras para levar essas builds ao próximo nível.

De qualquer forma, uma coisa é certa: para quem comprar a expansão, a experiência será transformadora. Com todas essas mudanças juntas, realmente parecerá que você está jogando Diablo 5. A questão é se a Blizzard conseguirá manter engajados os jogadores que escolherem ficar com a versão gratuita, ou se a lacuna será grande demais para ignorar.

E você, o que achou dessa decisão? As 20 modificações exclusivas são o empurrão final para você comprar a expansão, ou deixaram um gosto amargo sobre toda a atualização? Uma coisa é garantida: quando Lord of Hatred finalmente chegar, teremos muito conteúdo para explorar - a questão é quanto desse conteúdo cada jogador terá acesso.

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