Em um movimento inesperado que surpreendeu sua comunidade, o conhecido criador de conteúdo sobre MMORPGs Josh Strife Hayes finalmente decidiu experimentar World of Warcraft Classic pela primeira vez. E o que começou como uma curiosidade casual rapidamente se transformou em uma jornada de descoberta sobre um dos MMORPGs mais icônicos da história. O mais interessante? Ele está amando cada minuto disso, mesmo admitindo abertamente que “pode parar quando quiser” - algo que todos sabemos como termina quando se trata de WoW.

O criador de conteúdo compartilhou sua experiência em uma stream descontraída, jogando sem câmera e focando puramente na experiência do jogo. Sua escolha? Um Warlock, que ele selecionou após pesquisar “qual a classe mais simples do WoW Classic” e descobrir que se você consegue apertar um botão, consegue jogar de Warlock. A estratégia revelou-se mais complexa do que isso, claro, mas a essência permanece: shadowbolt para um inimigo, seeds of destruction para múltiplos alvos.

A Escolha pelo Burning Crusade Classic

A decisão de Josh de começar sua jornada no WoW Classic não foi aleatória. Ele optou pelo servidor de aniversário que recém-recebeu a expansão The Burning Crusade, e suas razões são fascinantes. Diferente do Classic vanilla puro, que ele considera estagnado e imutável, Josh queria experimentar uma progressão real do jogo. Ele considerou tanto o Classic vanilla quanto o servidor de progressão de Mists of Pandaria, mas escolheu o Burning Crusade por uma razão específica: a oportunidade de vivenciar aquela experiência comunitária que todos falam.

Josh nunca teve a chance de participar do lançamento de uma expansão de WoW junto com a comunidade. Ele perdeu a abertura do portal para Outland por ter começado apenas dois dias antes, mas sua esperança é alcançar o nível 60, passar por Outland e estar presente quando Wrath of the Lich King eventualmente chegar ao servidor de progressão. É essa experiência compartilhada, esse “momento cultural” que transcende o próprio jogo, que ele quer capturar.

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WoW Classic Como “Mac and Cheese” Gamificado

Uma das analogias mais interessantes que Josh trouxe foi comparar WoW Classic com mac and cheese. Não é a refeição mais complexa, não é o prato mais elaboradamente temperado, mas às vezes é exatamente o que você quer. É conforto em forma de jogo. Ele descreveu a experiência como “um suéter confortável em um dia chuvoso” ou “desenhos animados de sábado de manhã gamificados com servidores ruins”.

Josh reconhece que existe um aspecto hardcore de raiding no endgame que requer habilidade e dedicação extremas, mas argumenta que isso representa apenas uma pequena porção da experiência. Para 99% do tempo, WoW Classic é simplesmente aconchegante, casual e relaxante. Você mata alguns mobs, completa algumas quests, roda algumas dungeons de forma tranquila. É um jogo que permite que você simplesmente exista dentro dele sem cobrar constantemente sua atenção total.

Como streamer profissional, Josh explicou que existe uma diferença fundamental entre jogar um jogo enquanto entretém uma audiência e simplesmente jogar pelo prazer de jogar. Quando você está fazendo streaming como trabalho, precisa equilibrar constantemente sua atenção entre o jogo e a audiência. Focar demais no jogo significa ignorar o chat; focar demais no chat significa jogar mal. É um paradoxo constante. Às vezes, ele simplesmente quer jogar um videogame sem usar esse jogo como estrutura para entretenimento.

Descobrindo o Design Brilhante do WoW Classic

Apesar de ser crítico de jogos por profissão e nunca ter realmente jogado WoW antes (sua única experiência prévia foi em Battle for Azeroth, que ele admite não ter sido a melhor introdução), Josh encontrou aspectos excepcionalmente bem projetados no Classic. A identidade de classe é um ponto que ele destacou repetidamente. Você tem tanks definidos que conseguem causar dano suficiente para jogar solo, mas lentamente. Healers que também conseguem causar dano, mas de forma lenta. E DPS que têm dificuldade em sobreviver a muito dano sozinhos.

Quando você combina essas especializações, entretanto, cria uma sinergia perfeita. Josh contrastou isso com Guild Wars 2, um jogo que ele gosta, mas que ele sente ser ligeiramente enfraquecido por fazer todas as classes serem essencialmente diferentes sabores de DPS. Existe um valor, ele argumenta, em ter papéis fortemente definidos que se complementam.

A Filosofia de Solo Play em MMORPGs

Um ponto interessante que Josh levantou foi sua filosofia sobre jogabilidade solo em MMORPGs. Ele acredita firmemente que MMOs devem ser jogáveis sozinho para evitar “momentos de desistência”. Se você tem apenas meia hora ou uma hora depois do trabalho e quer jogar um pouco, mas todos os seus amigos estão ocupados, você ainda deveria conseguir fazer algo produtivo no jogo.

Ele usou Runescape como exemplo - é principalmente um jogo solo, mas depois introduz experiências e desafios onde você realmente precisa de um time. Essa é a abordagem ideal: conteúdo solo acessível com benefícios massivos ao jogar em grupo. WoW Classic consegue isso bem, permitindo progressão solo enquanto faz o conteúdo em grupo significativamente mais eficiente e recompensador.

A Experiência de Battle for Azeroth

Josh foi honesto sobre sua experiência anterior com WoW retail durante Battle for Azeroth, admitindo que foi um erro. Não porque a expansão fosse necessariamente ruim para jogadores estabelecidos, mas porque não foi uma boa experiência de integração para um jogador completamente novo.

Ele foi constantemente informado de que era o “herói de Azeroth” retornando às suas raízes depois de salvar o mundo e derrotar deuses. O problema? Ele não havia feito nada disso. Não tinha contexto algum. E então havia o Azerite - uma mecânica parasítica que jogadores estabelecidos entenderiam ser nova e específica da expansão, mas que para Josh, como novo jogador, parecia ser uma mecânica central do WoW que você precisaria sempre fazer. Quando descobriu que era temporária, ficou confuso.

Essa experiência ilustra um problema maior com expansões de MMO: elas são projetadas para jogadores estabelecidos, não para novatos. Classic oferece uma experiência mais coerente para alguém começando do zero.

A “Adicção” Bem-Humorada

Com seu humor característico, Josh brincou sobre sua crescente dedicação ao jogo. Começou com algumas horas numa quinta-feira, depois seis horas na sexta, sete no sábado, oito no domingo, e mais algumas na segunda. Ele provocou o chat dizendo que pode parar quando quiser - “é só um pouquinho de WoW pela manhã para passar o dia”.

Sua defesa hilária foi comparar com trabalho regular: se alguém acorda e trabalha 8-9 horas todo dia, ninguém diz que está “viciado em trabalho”. Mas quando ele acorda ao meio-dia, faz alguns ovos mexidos, navega no YouTube e joga Warcraft por 8 horas, de repente ele é o problema. “Eu sou a espinha dorsal desta sociedade”, brincou.

Em apenas alguns dias, Josh já tinha um personagem nível 21, outro nível 10 e outro nível 4. Os loops de gameplay são tão apertados e satisfativos que é fácil perder a noção do tempo.

O Charme dos Gráficos e Combate

Josh elogiou especificamente os gráficos “chunky” e charmosos de WoW Classic. Eles podem não ser fotorrealistas, mas têm personalidade e são imediatamente reconhecíveis. O design de personagens, a direção de arte geral, tudo contribui para uma estética coesa que funciona.

Até mesmo os “trash mobs” têm propósito. Eles não são apenas preenchimento de espaço - um mob fraco ainda pode matar um jogador despreparado. Cada encontro de combate parece um pequeno quebra-cabeça, mesmo que seja simples. Essa camada de engajamento, por menor que seja, mantém o jogador presente no momento.

Perspectiva Sobre Comparações Entre MMOs

Quando perguntado se WoW Classic é melhor que Guild Wars 2, Josh deu uma resposta diplomaticamente sábia: são experiências diferentes. Ele não gosta de dizer que MMOs são melhores ou piores que outros - apenas que oferecem experiências diferentes. É uma perspectiva refrescante vinda de alguém que analisa MMORPGs profissionalmente.

Josh descreveu Classic como “fácil de uma forma realmente satisfatória”. O polimento é evidente. Os loops de gameplay são excelentes. A identidade de classe é forte. O ritmo é bom. Existem aspectos excepcionalmente bem projetados que se destacam mesmo décadas depois do lançamento original.

O Futuro da Jornada

Josh deixou claro que pretende continuar jogando “provavelmente por tempo demais”. Ele planeja fazer dungeons, explorar diferentes áreas e provavelmente levar múltiplos personagens através do conteúdo. Sua meta é estar preparado para quando Wrath of the Lich King eventualmente chegar ao servidor de progressão, para que possa vivenciar aquela experiência de expansão compartilhada que todos falam.

O que começou como curiosidade se transformou em apreciação genuína. Josh está descobrindo por si mesmo por que WoW Classic mantém uma base de jogadores dedicada tantos anos depois. Não é sobre gráficos de ponta ou mecânicas revolucionárias - é sobre design sólido, identidade forte e aquele sentimento inefável de comunidade que permeia a experiência.

Para alguém que faz carreira analisando e criticando MMORPGs, ver Josh se render ao charme de WoW Classic é tanto divertido quanto validador. Às vezes, os clássicos são clássicos por uma razão. E às vezes, tudo que você precisa é de um bom prato de mac and cheese gamificado para lembrar por que você ama esse gênero.

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