O retorno de Kushala Daora em Monster Hunter Wilds: Ascendants dividiu opiniões na comunidade. Para muitos caçadores veteranos, ver novamente este Elder Dragon que apareceu em praticamente todos os jogos recentes da franquia foi decepcionante. Mas será que o sistema de clima dinâmico e as inovações de Wilds podem finalmente fazer justiça ao dragão de vento?
A revelação de Kushala como o primeiro Elder Dragon mostrado na expansão Ascendants pegou muita gente de surpresa, e não da forma positiva. Depois dos designs incríveis e mecânicas inovadoras dos novos monstros em Wilds, como os detalhes impressionantes dos cefalópodes e o retorno triunfante de Lagiacrus, ver Kushala novamente pareceu uma escolha conservadora demais.
O Pesadelo de World: Quando Tudo Deu Errado
A versão de Kushala Daora em Monster Hunter World é frequentemente lembrada como uma das piores experiências de combate da franquia. O primeiro encontro no Elder’s Recess já estabelecia o tom do problema: pressão de vento constantemente forçando o caçador de joelhos, tornando quase obrigatório equipar três níveis de Wind Pressure Resistance apenas para ter uma chance decente de lutar.
Os tornados eram o verdadeiro pesadelo. Kushala criava até três tornados que se moviam lentamente pelo campo de batalha, especialmente problemático em áreas menores como a zona quatro. Esses tornados não apenas bloqueavam o acesso ao monstro durante janelas de punição, mas causavam dano contínuo absurdo se você estivesse usando Rocksteady Mantle, tornando essa peça de equipamento inútil na luta.
A estratégia viável era basicamente usar flash pods para derrubar Kushala do ar repetidamente, focando dano na cabeça até desenvolver resistência. Para piorar, o monstro ficava voando constantemente, fugindo do caçador, com a maioria do corpo defletindo projéteis de armas ranged. E não podemos esquecer dos problemas de performance que os tornados causavam, com quedas significativas de frames quando múltiplos tornados estavam ativos.

Arch-Tempered: O Simulador de Espera
Se a versão base já era frustrante, a versão Arch-Tempered de Kushala elevou o tédio a níveis impressionantes. Ao invés de apresentar novos desafios mecânicos ou movimentos mais ameaçadores, a AT simplesmente transformou a luta em uma sessão interminável de perseguição.
Kushala ficava permanentemente no ar, realizando apenas alguns ataques básicos com as garras e rajadas de vento. O verdadeiro golpe foi remover a efetividade dos flash pods, eliminando a principal ferramenta dos caçadores para criar aberturas. O resultado? Você ficava preso atacando as garras, a zona de dano mais fraca do monstro, ou dependendo de ledge jumps para tentar acertar a cabeça.
Não era difícil, era simplesmente entediante. Uma luta mecânica e repetitiva que se arrastava por tempo desnecessário. Talvez a versão Arch-Tempered mais mal projetada da história da franquia.
Rise Mostrou o Caminho Certo
Monster Hunter Rise provou que Kushala Daora podia ser uma luta excelente. A armadura de vento foi reimaginada como uma mecânica dinâmica: ao invés de simplesmente defletir ataques, ela protegia o corpo do monstro, mas podia ser negada usando poison, tornando essa condição de status genuinamente relevante.
Os wirebugs transformaram completamente o combate aéreo. Kushala não ficava pendurado no ar indefinidamente, executava combos no ar e retornava ao chão. Novos ataques foram introduzidos, como a combinação devastadora onde o dragão te lança no ar com vento e prepara um blast de energia sombria, forçando você a usar wirefall para escapar. O tornado massivo que puxa caçadores para dentro antes de explodir criava momentos de tensão genuína.
A versão de Master Rank adicionou ainda mais variedade com novos ataques de sopro, tornados mais rápidos e múltiplos, e mecânicas que combinavam poder de vento com ataques físicos. Kushala finalmente parecia agressivo e perigoso, não apenas irritante.
Risen Kushala: A Forma Definitiva
A versão Risen introduzida em Sunbreak elevou Kushala a outro patamar. Infectado com energia especial, o dragão ganhava um estado risen marcado por chifres alaranjados brilhantes e todos os ataques amplificados com poder de vento amarelo.
Os tornados ficavam maiores, mais rápidos e mais numerosos. Ataques de garra criavam rajadas de vento que permitiam a Kushala se impulsionar no ar para combos aéreos. O super tornado podia ser interrompido focando dano nos chifres brilhantes. A pressão era intensa, com combos devastadores e AoE massivo, mas a luta permanecia justa: flash pods ainda funcionavam, permitindo derrubar o monstro para focar a cabeça.
Era tudo que a versão de World deveria ter sido: mecanicamente rica, visualmente impressionante, genuinamente desafiadora sem ser frustrante.
Esperanças para Ascendants
Olhando para Monster Hunter Wilds: Ascendants, há motivos para otimismo. O sistema de clima dinâmico do jogo oferece possibilidades únicas para um Elder Dragon de vento. Imagine Kushala manipulando diretamente as condições climáticas, usando tempestades e correntes de vento do ambiente a seu favor.
A nova região aparentemente terá correntes de vento ascendentes que podem ser usadas com o Seikret, potencialmente oferecendo opções de mobilidade aérea mesmo sem wirebugs. Isso poderia resolver a preocupação de como engajar com Kushala quando ele está voando.
Os Elder Dragons em Wilds parecem significativamente mais poderosos, com Kushala demonstrando capacidade de enfrentar cinco Guardians simultaneamente no trailer. Essa escala de poder sugere que veremos versões mais impressionantes e ameaçadoras desses monstros clássicos.
A grande questão é: a Capcom aprendeu com os erros de World? Baseado na evolução que vimos em Rise e no compromisso da equipe em corrigir os problemas de performance de Wilds, há razão para acreditar que sim. Kushala Daora pode finalmente receber o tratamento que merece, transformando-se de um símbolo de frustração em uma luta memorável que faz jus ao título de Elder Dragon.
O dragão de vento merece uma segunda chance, e Wilds tem todas as ferramentas para entregar isso.