A jornada de Shi Hao nas terras ancestrais de Perfect World continua repleta de conflitos e revelações. Após os 100 jovens prodígios serem selecionados para embarcar rumo à fronteira selvagem, nosso protagonista se vê enredado em uma trama que vai muito além do simples treinamento de combate. O peso de um passado manchado por acusações de traição recai sobre seus ombros, transformando o que seria uma oportunidade de crescimento em uma verdadeira cruzada pela honra de seu clã.
A chegada ao campo de batalha mais lendário dos Nove Céus e Dez Terras revela uma verdade amarga: o clã de Shi Hao carrega o estigma de “sangue pecador”, uma marca que os coloca como párias mesmo entre os guerreiros que deveriam lutar lado a lado. Mas será que essa condenação tem fundamento real, ou seria apenas mais uma injustiça histórica perpetuada por gerações?
O Preconceito Como Arma Mais Afiada Que Qualquer Espada
Logo ao chegarem na fronteira do domínio estrangeiro, Shi Hao e seus companheiros de clã são recebidos não com boas-vindas, mas com escárnio. Wang Changhe e outros membros das famílias nobres dos Nove Céus não perdem tempo em ridicularizar o grupo, afirmando que descendentes de pecadores não seriam bem-vindos em lugar algum. A atmosfera se torna tão hostil que parece improvável qualquer tipo de recepção cordial.
É nesse momento crítico que surge Ye Qingxian, uma figura enigmática que não apenas conhece Shi Hao de encontros anteriores, mas também possui uma reputação considerável na fronteira selvagem. Sua intervenção não é apenas diplomática - é uma declaração de poder. Quando os nobres arrogantes insistem em suas ofensas, chamando o clã de pecadores e mencionando os pilares da vergonha onde supostamente foram punidos, Ye Qingxian decide que chegou a hora de uma lição prática sobre respeito.

O Poder dos Ancestrais Desperta
A manifestação dos três altares ancestrais do Portão Imperial é um dos momentos mais impressionantes desta saga. Pilares de luz caem dos céus, e as formas dhármicas dos ancestrais do clã - que foram parte dos lendários Sete Reis da Fronteira Selvagem - se materializam com uma pressão esmagadora. Wang Changhe e seus seguidores, tão orgulhosos momentos antes, agora se encontram prostrados, incapazes de resistir à força ancestral que os julga.
O que torna essa cena particularmente interessante é a revelação posterior: Ye Qingxian utilizou ossos de ancestrais do domínio estrangeiro como oferenda para invocar os resquícios de vontade deixados nas estátuas. Não são os Sete Reis originais que intervieram, mas sim ecos de sua determinação, preservados através dos séculos. Mesmo assim, o poder é suficiente para forçar uma humilhação completa dos agressores, que precisam se ajoelhar e pedir perdão sincero pelas ofensas proferidas.
Chu Yusheng, sempre perspicaz, questiona se Ye Qingxian teria feito tudo aquilo por gostar de Shi Hao, desperdiçando um tesouro tão valioso. A resposta dela é enigmática, mas revela algo importante: ela conhece o futuro. Ye Qingxian não é uma personagem comum - ela veio do futuro, assim como outras figuras misteriosas da narrativa, com conhecimento sobre os destinos que aguardam cada um.
A Verdade Por Trás da Marca de Pecador
Quando Shi Hao finalmente chega ao assentamento do clã no Portão Imperial, a realidade cruel se torna evidente. Si Hode, o líder do clã no local, questiona por que o jovem não mudou seu sobrenome antes de vir, uma sugestão que carrega o peso de gerações de vergonha. A cena de uma criança chamada Ah Su chorando sobre o corpo de seu pai, trazido morto do campo de batalha, pinta um quadro sombrio: o clã é tratado como carne de canhão, descartável e sem valor.
A explicação sobre a origem da maldição é revelada através das histórias passadas de geração em geração. Segundo os registros da era antiga, o ancestral do clã teria assassinado vários líderes de seu próprio reino. Desde então, foram marcados como descendentes de sangue pecador. Shi Hao, no entanto, não aceita essa narrativa. Ele conhece a verdadeira história - seus ancestrais lutaram até o último suspiro de vida. Se realmente fossem traidores, então as paredes e a terra do Portão Imperial estariam manchadas com o sangue desses “pecadores”.
A comparação que surge naturalmente é com histórias clássicas de clãs injustiçados, onde heróis são transformados em vilões pelas circunstâncias e pela manipulação histórica. Shi Hao se torna então o último descendente determinado a limpar o nome de sua linhagem, treinando os membros remanescentes do clã apesar de estarem isolados em uma região pobre em energia espiritual e saturada com aura assassina.
Encontros Inesperados e Ameaças Veladas
A visita do ancião do clã celestial - que podemos chamar de “Bambang” - adiciona outra camada de complexidade à situação. Reconhecendo o potencial de Shi Hao como um praticante do Dao do Vazio, o ancião expressa arrependimento por não ter arranjado um casamento entre o jovem e a jovem mestra de seu clã. Há história prévia entre eles, envolvendo até mesmo a morte do protetor do clã celestial, que sacrificou o resto de sua vida realizando uma profecia.
Bambang tenta, inicialmente, proteger Shi Hao de uma forma tortuosa - sugerindo que ele seja enviado para coletar ervas medicinais divinas ao invés de ir ao campo de batalha. A proposta é claramente uma forma de mantê-lo afastado do perigo real, mas também o privaria da oportunidade de provar seu valor. Quando Shi Hao recusa categoricamente, o ancião revela sua verdadeira natureza manipuladora, ameaçando recrutar outros membros do clã como soldados descartáveis se o jovem não cooperar.
A persistência de Shi Hao finalmente rende frutos quando Bambang cede, concordando que todos serão eventualmente enviados ao campo de batalha. Para o protagonista, esta é a oportunidade que ele esperava - a chance de acumular méritos de combate que possam limpar o nome de seu clã. Ele estabelece uma meta ambiciosa: eliminar 100.000 especialistas do domínio estrangeiro. Mas ainda mais impressionante é sua declaração de que pretende mirar nos clãs reais e imperiais inimigos, cujas cabeças valem muito mais.
A Provação Inevitável
No campo de treinamento do Portão Imperial, as tensões finalmente explodem quando Jin Zhan, um especialista do clã Jin, questiona abertamente se Shi Hao realmente lutará contra os inimigos do domínio estrangeiro ou se apontará sua espada para seus próprios aliados, repetindo os supostos pecados de seus ancestrais. É a gota d’água para o jovem guerreiro, que desafia Jin Zhan diretamente: se ele é realmente um homem de verdade, deveria resolver as coisas com os punhos ao invés de usar sua posição para oprimir os outros.
Jin Zhan aceita o desafio, declarando que vai disciplinar o jovem insolente com suas próprias mãos. O confronto iminente representa mais do que apenas uma briga entre jovens prodígios - é um choque entre o peso do preconceito histórico e a determinação de uma nova geração que se recusa a carregar as correntes do passado.
Reflexões Sobre Justiça e Redenção
Esta saga levanta questões profundas sobre como a história é escrita e reescrita pelos vencedores. Será que o clã de Shi Hao realmente traiu seus aliados na antiguidade? Ou seriam vítimas de uma conspiração que transformou heróis em vilões? O paralelo com outras histórias de clãs injustiçados na cultura dos MMORPGs e animes é inegável - sempre há aquele protagonista que deve carregar o peso de acusações passadas enquanto luta para revelar a verdade.
O papel de Ye Qingxian como uma viajante temporal adiciona uma dimensão fascinante à narrativa. Ela conhece o futuro, sabe que Chu Yusheng sobreviverá às provações vindouras, e aparentemente tem informações privilegiadas sobre o verdadeiro destino de Shi Hao - o Imperador Huang. Sua disposição em gastar recursos preciosos para proteger o clã não é mero capricho romântico, mas sim parte de uma missão maior que transcende o tempo.
A transformação de Shi Hao de um jovem prodígio em um líder determinado a restaurar a honra de seu povo é inspiradora. Ele não apenas treina seus companheiros de clã, mas também estabelece metas aparentemente impossíveis que demonstram sua recusa em aceitar o papel de vítima. Eliminar 100.000 inimigos não é apenas sobre números - é sobre provar categoricamente que o sangue em suas veias não é de traidores, mas de guerreiros verdadeiros.
A chegada à fronteira selvagem marca o início de uma nova fase na jornada de Perfect World, onde as batalhas não serão apenas contra monstros e cultivadores inimigos, mas também contra séculos de preconceito e injustiça institucionalizada. Com Shi Hao determinado a reescrever a história de seu clã, podemos esperar confrontos épicos, revelações surpreendentes sobre o passado, e talvez finalmente a verdade sobre o que realmente aconteceu nos dias antigos quando os Sete Reis da Fronteira Selvagem ainda caminhavam pela terra.