O cenário competitivo do Tibia está prestes a explodir em uma das maiores guerras já vistas no jogo. A Puni, liderada por Dejair, enfrenta uma crise sem precedentes após ser supostamente traída pela Incor, que abandonou a aliança para se juntar ao time inimigo do Sorin. No meio dessa tormenta política, um áudio antigo do líder da Puni ressurgiu, causando uma onda de controvérsias e revelando as tensões que sempre existiram entre guilds dominantes e jogadores neutros.
Em meio a tudo isso, Dejair decidiu se pronunciar, gerando ainda mais polêmica ao acusar criadores de conteúdo de distorcerem suas palavras. Mas será que essa narrativa se sustenta quando confrontada com os fatos? Vamos mergulhar nessa história que mistura política tibiana, power abuse e a eterna questão: até onde vai o limite do jogo?
A Tempestade Perfeita: Traição e Guerra Iminente
A configuração atual do cenário tibiano brasileiro é explosiva. De um lado, temos a Puni, comandada por Dejair e conhecida por dominar Ferobra há sete anos. Do outro, a aliança formada pela Incor e Outlaw, lideradas por Sorin. O que torna essa situação particularmente dramática é que a Incor era aliada da Puni - até não ser mais.
Essa mudança de lado não foi apenas uma reorganização estratégica comum no jogo. Foi uma traição que pegou muita gente de surpresa e colocou a Puni em uma posição defensiva pela primeira vez em anos. Estamos falando dos três maiores times do Tibia brasileiro se reorganizando, com dois deles agora unidos contra um.
Para adicionar mais lenha à fogueira, o personagem top level global de Dejair foi morto no deserto em apenas 20 segundos. O detalhe mais absurdo? Isso aconteceu enquanto ele estava na GamesC, e quem controlava o personagem era um “serviceiro cachaceiro” - nas próprias palavras do líder da Puni. A tempestade estava apenas começando.
O Áudio que Ninguém Esqueceu
No centro dessa polêmica está um áudio que circula há meses na comunidade tibiana. Nele, uma voz supostamente de Dejair comenta sobre a quantidade de neutros em determinado servidor, afirmando que quando dominassem, perguntariam aos neutros se preferiam entrar na guild ou sofrer consequências.

O áudio não é novo. Ele foi postado há nove meses no canal do Bigodzeira e já acumulou mais de 62 mil visualizações. Durante todo esse tempo, não houve pronunciamento oficial de Dejair desmentindo, contextualizando ou explicando a situação. Até que o conteúdo foi mencionado em uma entrevista recente com o Frozen, trazendo o assunto de volta à tona.
A reação de Dejair foi imediata, mas não da forma que muitos esperavam. Em vez de um pronunciamento público oficial em seus próprios canais, ele optou por enviar mensagens privadas a criadores de conteúdo, acusando-os de tirar suas palavras de contexto e usar o áudio como se fosse algo sério, quando na verdade seria apenas “meme” e “zoeira”.
A Mensagem que Mudou Tudo
A situação escalou quando Dejair, em entrevista ao VDA, afirmou que havia entrado em contato com um criador de conteúdo e que este teria “falado um monte de merda” para ele. Ao mencionar publicamente uma conversa privada e distorcer seu conteúdo, abriu-se a possibilidade de revelar o que realmente foi dito.
As mensagens mostram uma realidade diferente. No dia 13 de maio de 2026, à 1h36 da manhã, Dejair iniciou a conversa com tom acusatório, questionando o “desespero por views” e reclamando do uso do áudio. A resposta que recebeu foi simples: um pedido por conversa civilizada e respeitosa, com direito a um “bom dia” - afinal, eram 1h39 da manhã.
Não houve xingamentos, não houve desrespeito da parte do criador de conteúdo. Apenas um pedido básico de civilidade antes de prosseguir com qualquer discussão. Então, por que distorcer a conversa publicamente?
A Tentativa de Limpar a Imagem
Sorin, rival de Dejair nessa guerra iminente, comentou em público que o líder da Puni estaria tentando limpar sua imagem. E observando os fatos, a teoria faz sentido. Aparições públicas mais frequentes, tentativas de controlar narrativas em vídeos de terceiros, preocupação com como determinados áudios são percebidos pela comunidade.
Mas aqui surge uma questão filosófica interessante sobre o Tibia: para que um líder de guild dominante precisa de boa imagem? A guerra se ganha com popularidade ou com estratégia e força dentro do jogo?
No universo tibiano, guilds dominantes sempre foram conhecidas exatamente por fazerem aquilo que está no áudio: cobrar taxa, controlar spawns, dar ultimatos para neutros. Isso não é novidade, não é segredo, não é algo que choca ninguém que conhece o jogo. É simplesmente como o Tibia funciona há décadas.
O Jogo É Assim, Sempre Foi Assim
Aqui está o ponto crucial de toda essa discussão: o Tibia permite tudo isso. O jogo não pune quem cobra taxa, não proíbe guilds de controlarem spawns, não impede que jogadores matem outros jogadores. Tudo que acontece dentro das mecânicas do jogo é válido.
Jogadores que fazem parte de times dominantes buscam exatamente isso - o poder, a conquista, o controle. É o gostinho do power abuse que o próprio jogo oferece como mecânica. Não é necessariamente a coisa mais bonita aos olhos de quem está fora, mas ainda assim é ser um jogador de Tibia.
A questão que fica é: por que tentar negar ou suavizar algo que é parte intrínseca do jogo? Por que não simplesmente assumir o papel? “Sim, cobramos taxa. Sim, controlamos spawns. Não gostou? Entra contra.” Essa sempre foi a resposta padrão de times dominantes, e é uma resposta honesta.
A Hipocrisia da Política Tibiana
O cenário competitivo do Tibia está se transformando em uma espécie de política brasileira bizarra, onde líderes de guild precisam ter boa imagem para conquistar… o quê exatamente? Votos não ganham guerra. Popularidade não segura spawn. Simpatia não impede PK.
Existe uma hipocrisia clara quando times dominantes precisam se explicar por fazerem exatamente aquilo que sempre fizeram. “Desculpe, matamos aquele neutro, mas veja bem, ele já tinha farmado e nosso membro precisava do spawn.” É quase cômico.
Se o jogo permite, faça. Se assumir esse papel como jogador significa ter uma imagem menos simpática como pessoa pública, então é necessário escolher: ser jogador de Tibia ou ser influenciador querido. Tentar ser os dois ao mesmo tempo enquanto nega as ações de um deles simplesmente não funciona.
O Futuro da Guerra e a Realidade Nua e Crua
Enquanto a comunidade aguarda o desenrolar dessa guerra monumental, uma verdade precisa ser dita: não haverá salvador da pátria. Se a Puni vencer, mantém-se o status quo. Se Sorin e a nova aliança vencerem, os neutros apenas trocarão o número do PIX.
A ideia romântica de que algum time vai vencer e transformar o Tibia em um paraíso para jogadores neutros é fantasiosa. Todos lutam pelos próprios interesses, e isso é perfeitamente aceitável dentro do contexto do jogo. O problema é quando tentam vender uma narrativa diferente dessa realidade.
Dejair domina Ferobra há sete anos. Isso não acontece sendo bonzinho com neutros ou distribuindo spawns gratuitamente. Acontece fazendo exatamente aquilo que está implícito no áudio polêmico. E não há problema nisso - é o jogo sendo jogado.
Conclusão: Assuma Seu Papel
No final das contas, essa polêmica toda revela mais sobre a mudança de mentalidade na comunidade tibiana do que sobre qualquer coisa específica que Dejair tenha feito ou deixado de fazer. O jogo sempre foi assim. As mecânicas sempre permitiram esse tipo de comportamento. Guilds dominantes sempre agiram dessa forma.
O que mudou foi a necessidade percebida de justificar essas ações, de amenizá-las, de criar uma narrativa mais palatável. Mas para quê? Para quem? A guerra acontecerá independentemente de quem tem melhor imagem pública.
Que os times lutem pelos seus interesses, que assumam seus papéis como jogadores de Tibia, e que façam aquilo que o jogo permite fazer. No fim, são apenas pixels lutando contra outros pixels, com pessoas reais por trás decidindo como querem jogar dentro das regras estabelecidas.
E enquanto o CipSoft não mudar essas regras, assistimos ao espetáculo se desenrolar, sabendo exatamente como funciona esse jogo que amamos e odiamos em igual medida.