Com Monster Hunter Wilds dominando as conversas da comunidade, é natural olharmos para trás e nos perguntarmos sobre os jogos que moldaram nossa jornada nesta franquia icônica. Há quase exatos 8 anos, Monster Hunter World chegou ao mercado e revolucionou não apenas a série, mas a vida de milhões de caçadores ao redor do mundo. Este foi o jogo que apresentou Monster Hunter para a maioria dos jogadores atuais, e mesmo com todos os avanços tecnológicos e mecânicas refinadas que Wilds trouxe, existe algo especial sobre aquele primeiro contato que permanece vivo em nossos corações.

Cada jogo de Monster Hunter é uma criatura em constante evolução, assim como os monstros que caçamos. Mecânicas permanecem, outras ficam para trás, e o resultado é que cada título oferece uma experiência única. Por isso, de certa forma, sentimos falta de todos os jogos anteriores enquanto jogamos o mais recente. Mas há algo particularmente nostálgico em relação a World que merece ser celebrado.

O Charme Único de Ser Seu Primeiro Monster Hunter

Existe algo mágico sobre descobrir Monster Hunter pela primeira vez. Aquele momento quando o combate finalmente “clica” em sua mente, quando você vê todos os monstros e ambientes pela primeira vez, quando você experimenta a totalidade do que Monster Hunter representa partindo de uma perspectiva completamente neutra. Cada jogo seguinte carrega o peso das expectativas, dos hábitos formados em títulos anteriores, e você simplesmente não consegue mais enxergar a série através da mesma lente de um iniciante.

Para muitos de nós, Monster Hunter World foi esse primeiro contato. E mesmo com uma memória geralmente fraca, as lembranças dessa jornada inicial permanecem vívidas e extremamente positivas. É importante deixar claro: isso não é uma crítica a Wilds, que é um jogo fenomenal por seus próprios méritos. Mas existe uma saudade genuína do tempo passado com World e sua expansão Iceborne.

Sistemas Que Definiam a Experiência

Uma das mecânicas mais emblemáticas de World era o sistema de rastreamento de monstros. Antes deste jogo, rastrear significava basicamente vagar pelas zonas até encontrar sua presa, ou usar paintballs para não perdê-la de vista. World evoluiu isso drasticamente, introduzindo pegadas, marcas de garras e muco deixados pelos monstros que precisavam ser examinados para construir um perfil da criatura. As scout flies então travavam nos alvos conforme você acumulava informações.

O sistema era inteligente: quanto mais pesquisa você realizava sobre um monstro, mais rápido era o processo de rastreamento em quests futuras. O que poderia demorar inicialmente se tornava muito mais ágil no endgame, quando você provavelmente já tinha memorizado os locais favoritos de cada monstro de qualquer forma. Esse sistema foi substituído nos últimos dois jogos principais por simplesmente saber permanentemente onde os monstros estão, aumentando o tempo de combate ativo, mas removendo um elemento que adicionava imersão e charme únicos.

Refletindo Sobre Monster Hunter World

A Beleza dos Ambientes

Os ambientes de World não eram apenas tecnicamente impressionantes, mas havia algo especial na forma como os desenvolvedores usaram cores e iluminação através do design. O mundo parecia vibrante e convidativo, incentivando exploração constante. A sensação de evoluir de alguém completamente perdido na Ancient Forest para ter um sistema de navegação interno praticamente perfeito após horas de jogo era incrivelmente satisfatória.

Essa sensação existiu em Rise e Sunbreak, e mesmo com o autobing do Seikret em Wilds, há diversão nos mapas atuais. Mas havia algo sobre essa experiência específica em World que a tornava mais significativa. Parte disso certamente se deve ao fato de ter sido a primeira vez, mas isso não diminui o valor dessa nostalgia.

Personagens Inesquecíveis

Os personagens de World carregavam um charme irresistível. O Meowscular Chef e sua avó em Iceborne são absolutamente adoráveis. Embora seja compreensível por que Rise e Sunbreak tinham sistemas diferentes, e Wilds ainda não está propriamente estabelecido nas Forbidden Lands, existe a esperança de que esse estilo de canteen volte na expansão. Há algo especial sobre um único chef felino carregando todo um assentamento nas costas, com personalidades massivas e cutscenes incríveis ao preparar comida.

Cada personagem tinha seu próprio papel e personalidade. Mesmo que muitos fossem baseados em tropos, isso os tornava fáceis de relacionar e entender, mantendo uma vibe cartunesca com personagens conhecidos apenas por seus títulos ao invés de nomes próprios. Até mesmo a Handler, frequentemente alvo de memes, se encaixava perfeitamente na natureza goofy de Monster Hunter, que é tão ridícula quanto é cool.

Uma História que Ressoa

A narrativa não era a mais complexa, mas explorar o mundo, aprender sobre ele, desvendar seus mistérios e fazer tudo para protegê-lo criava uma jornada envolvente. Wilds oferece algo similar com os Guardians e a queda de Wveria, mas a causação é diferente, dando a cada jogo sua própria identidade narrativa.

Sistemas de Progressão e Endgame

O sistema de RNG focado em decorações parecia mais correto do que talismãs RNG. Cada decoração que rolava bem representava um passo tangível em direção ao build ideal. Wilds trouxe decorações RNG de volta, mas de forma tão diferente que muitos jogadores completaram a grind rapidamente, levando à adição posterior de talismãs como item de chase de longo prazo.

O sistema de habilidades em World tinha uma simplicidade elegante. Foi o primeiro jogo a usar o sistema moderno onde skills tinham níveis específicos ao invés de precisar atingir um threshold para ativá-las. O equilíbrio parecia razoável, especialmente comparado à complexidade de Rise e Sunbreak, ou ao split entre weapon e armor skills em Wilds.

Os set bonuses secretos que permitiam alcançar ranks mais altos de certas skills eram fantásticos. Free Meal de nível máximo, por exemplo, era hilário e extremamente efetivo para builds de suporte. O endgame tanto do jogo base quanto da expansão eram sólidos. Tempered monsters ofereciam decorações, e augment stones levavam ao health augment, que permitia curar a cada hit. Para alguém novo na série, isso era como um cobertor de segurança que incentivava jogar de forma mais arriscada, criando os momentos mais memoráveis.

A Guiding Lands em Iceborne, apesar de alguns problemas funcionais inicialmente, evoluiu para um conceito fantástico de endgame. Um mapa vivo com todos os tipos de ambiente simultaneamente e grupos rotacionais de monstros era simplesmente divertido e funcionava incrivelmente bem.

Um Roster Memorável

Embora o roster de World fosse relativamente conservador em variedade de esqueletos, cada monstro tinha uma personalidade maior que a vida que os tornava inesquecíveis. Com exceção talvez do Great Jagras, tudo no jogo tinha presença marcante. Até mesmo Kulu Ya-Ku com sua energia ansiosa se tornou memorável, e Dodogama conquistou a comunidade inteira como a coisa mais fofa que deve ser protegida a todo custo.

Mesmo trabalhando majoritariamente com fanged wyverns, flying wyverns e brute wyverns, o time de design criou um roster absolutamente incrível. A abundância de monstros completamente novos adicionava ao fator de admiração, especialmente para veteranos da série.

Um aspecto comportamental importante: vários monstros em World eram completamente passivos até você engajá-los, incluindo elder dragons. Em Wilds, apenas Gravios não ataca primeiro, todos os outros eventualmente se agitam. Essa passividade inicial adicionava uma camada de realismo e escolha ao jogador.

O Combate que Definia uma Era

O combate de World, especialmente no jogo base antes de Iceborne adicionar o clutch claw e tenderizing, estava em um ponto único e perfeito. Os movesets eram mais refinados e suaves que jogos anteriores, sem se tornarem excessivamente complexos ou flashy. Para muitos, esses movesets capturavam perfeitamente a fantasia de ser um caçador.

Claro, os offsets e ataques finalizadores flashy de Rise, Sunbreak e Wilds são incrivelmente satisfatórios. Mas havia algo especial sobre a imersão proporcionada pelos movesets específicos de base World que conectava com a essência de ser um caçador.

O Legado Continua

Monster Hunter World completa quase exatamente 8 anos de lançamento, e é surpreendente como o tempo passou. Este foi o jogo que iniciou o amor pela série para a maioria dos jogadores atuais, fãs que cresceram essa paixão ao ponto de Monster Hunter se tornar uma parte importante de suas vidas. Para quem começou com World, o jogo representa aproximadamente um terço de toda a experiência de vida com a franquia.

Amar e celebrar o que tornou World especial não diminui os méritos de outros jogos da série. Cada título tem suas próprias peculiaridades e encantos únicos. Mas existe algo inegavelmente mágico sobre aquele primeiro Monster Hunter, sobre descobrir pela primeira vez o que torna esta franquia tão especial. E para milhões de caçadores ao redor do mundo, esse primeiro contato foi Monster Hunter World.

Enquanto Wilds continua sua jornada e estabelece suas próprias tradições e memórias, vale a pena olhar para trás ocasionalmente e lembrar de onde viemos, dos jogos que moldaram nossa paixão e das experiências que nos transformaram nos caçadores que somos hoje.

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