É difícil acreditar, mas a Blizzard parece estar finalmente voltando aos trilhos. Depois de anos turbulentos marcados por escândalos, jogos problemáticos e uma série de decisões questionáveis, a empresa está vivendo um momento de renascimento. E o mais curioso é que essa transformação começou após a chegada de Johanna Faries ao comando, substituindo Bobby Kotick. Nas últimas semanas, a Blizzard conseguiu gerar entusiasmo genuíno em suas principais franquias, e pela primeira vez em anos, os jogadores estão respondendo com aprovação.

O universo de Diablo, em particular, está no centro dessa renovação. Diablo 4, que teve um lançamento controverso em 2023, finalmente encontrou seu caminho e se consolidou como um dos maiores sucessos da empresa. Mas a surpresa veio mesmo com o anúncio inesperado de uma nova expansão para Diablo 2 Resurrected, que chegou ao Steam conquistando avaliações positivas imediatamente. Vamos mergulhar nessa história de ressurreição e entender o que mudou na Blizzard e por que Diablo está novamente no coração dos fãs.

O Renascimento de Diablo 4

Quando Diablo 4 foi lançado em 2023, havia uma mistura de expectativa e apreensão no ar. A franquia ainda carregava as cicatrizes do desastroso anúncio de Diablo Immortal, que gerou uma das reações mais negativas da história dos games. Apesar disso, a quarta parte entregou uma experiência que, em termos de história e atmosfera, estava à altura do legado da série. O problema estava no gameplay, que recebeu críticas consistentes da comunidade.

Os números, porém, não mentem. Diablo 4 se tornou o jogo de lançamento mais bem-sucedido na história da Blizzard em termos de velocidade de vendas. A base sólida estava lá, mas era preciso polimento. A primeira expansão, Vessel of Hatred, trouxe o novo classe Espiritista e foi recebida de forma mista, mas serviu como um ponto de virada importante. Rob Ferguson, o diretor que liderava o projeto, trabalhou para refinar as mecânicas principais do jogo antes de deixar a empresa, e seu legado foi um Diablo 4 muito mais equilibrado.

As avaliações começaram a mudar gradualmente de mistas para positivas. A Blizzard estava ouvindo o feedback e implementando mudanças reais. Foi então que veio o grande anúncio: a segunda expansão, Lord of Hatred, apresentada com um cinemático espetacular no The Game Awards. O trailer mostrou a batalha decisiva contra Mefisto e, para delírio dos fãs veteranos, confirmou o retorno da classe Paladino.

A reação foi esmagadoramente positiva. Depois de anos sendo criticada, a Blizzard finalmente estava acertando a mão com Diablo 4, entregando não apenas conteúdo novo, mas também o tipo de experiência que os jogadores esperavam desde o início.

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A Surpresa de Diablo 2 Resurrected

Se a apresentação de Lord of Hatred já tinha empolgado os fãs, o que veio depois foi completamente inesperado. Durante a mesma apresentação, a Blizzard anunciou uma nova expansão para Diablo 2 Resurrected, trazendo mecânicas inéditas e uma nova classe: o Feiticeiro das Trevas. Para quem acompanha a franquia, sabe que Diablo 2 é praticamente uma relíquia sagrada, e mexer com ele é sempre um risco.

Mas a Blizzard acertou novamente. A expansão não apenas adiciona conteúdo substancial a um jogo lançado originalmente há mais de duas décadas, como também demonstra um respeito genuíno pela base de fãs mais antiga. E há outro detalhe importante: Diablo 2 Resurrected finalmente chegou ao Steam, acompanhando esse anúncio. A recepção foi imediata e calorosa, com uma enxurrada de avaliações positivas de jogadores que finalmente podiam acessar o clássico renovado na plataforma mais popular do PC.

Esse movimento mostra uma mudança de mentalidade na Blizzard. Por anos, a empresa insistiu em manter seus jogos exclusivamente no Battle.net, limitando o alcance e a conveniência para os jogadores. Agora, abraçar o Steam e simultaneamente lançar conteúdo novo para um jogo que muitos consideravam “completo” demonstra uma disposição para inovar respeitando o legado.

A Mudança de Rumo na Blizzard

Para entender completamente essa transformação, precisamos olhar para quem está no comando. Johanna Faries não é apenas mais uma executiva de games. Ela veio da NFL, onde tinha experiência sólida em gestão, e depois trabalhou por anos na Activision liderando o desenvolvimento de Call of Duty. Quando assumiu a presidência da Blizzard, ela prometeu fazer tudo ao seu alcance para que a empresa prosperasse.

Muitos duvidaram. Afinal, promessas vazias já tinham sido feitas antes. Mas Faries começou a entregar resultados concretos quase imediatamente. Uma das mudanças mais notáveis foi o fim da ênfase excessiva em mensagens políticas e representatividade forçada que havia dominado a comunicação da empresa desde 2020. Não que diversidade seja algo negativo, mas quando se torna o foco principal em detrimento da qualidade do produto, os jogadores sentem e reagem.

Sob a liderança de Faries, a Blizzard voltou a focar no que realmente importa: fazer jogos excelentes. Overwatch, que parecia morto após o desastre de Overwatch 2, ganhou nova vida com atualizações significativas e personagens que os jogadores realmente querem usar. World of Warcraft continua sólido, com a promessa de Classic Plus gerando expectativa para a BlizzCon 2026. E até mesmo Starcraft, abandonado por anos, está voltando com rumores de novos projetos em desenvolvimento.

O Futuro do Universo Diablo

Com Diablo 4 se consolidando como um sucesso de longo prazo e Diablo 2 Resurrected ganhando novo fôlego, o futuro da franquia parece brilhante. A Blizzard aprendeu lições valiosas com os erros do passado. O desastre de Diablo Immortal ensinou que os fãs hardcore não podem ser ignorados. O lançamento contconturbado de Diablo 4 mostrou que até mesmo uma boa base precisa de refinamento e atenção aos detalhes.

Agora, a empresa está colhendo os frutos de uma abordagem mais equilibrada. Está ouvindo o feedback da comunidade, fazendo ajustes quando necessário e, mais importante, mostrando respeito pelo legado das suas franquias. A adição de conteúdo novo para Diablo 2, um jogo de 2000 remasterizado em 2021, é um exemplo perfeito dessa nova filosofia.

Para os jogadores de Diablo 4, a expansão Lord of Hatred promete ser o momento definitivo da história principal, com o confronto contra Mefisto finalmente acontecendo. O retorno do Paladino, uma das classes mais icônicas da série, é a cereja do bolo. E considerando como a Blizzard tem melhorado consistentemente o jogo desde o lançamento, há razões genuínas para otimismo.

Uma Nova Era para a Blizzard?

É cedo para cravar que a Blizzard está completamente de volta ao seu auge, mas os sinais são encorajadores. Depois de anos de tropeços, escândalos e decisões questionáveis, ver a empresa fazendo movimentos inteligentes e sendo recompensada com aprovação dos jogadores é refrescante. A crítica construtiva da comunidade ao longo dos anos parece finalmente ter surtido efeito.

O caso de Diablo é emblemático dessa transformação. Uma franquia que estava em um momento delicado após Immortal, que teve um lançamento de Diablo 4 conturbado, agora está vibrante e gerando entusiasmo genuíno. A capacidade de reconhecer erros, fazer ajustes e surpreender positivamente os fãs com anúncios como a expansão de Diablo 2 mostra uma empresa que está reaprendendo a conectar-se com sua base.

Para nós, jogadores que acompanhamos a Blizzard há anos ou décadas, essa mudança é bem-vinda. Nunca desejamos o mal da empresa; sempre quisemos que ela voltasse a fazer aquilo que sabe de melhor. A crítica sempre foi por amor às franquias que marcaram nossas vidas. Ver essa crítica sendo transformada em ação positiva é gratificante.

O caminho ainda é longo. A BlizzCon 2026 será um teste importante, onde veremos se essa trajetória positiva continua. Mas por enquanto, podemos celebrar o fato de que Diablo está de volta, forte e promissor. E se a Blizzard continuar nessa direção, respeitando seus jogadores e investindo em qualidade acima de tudo, o futuro pode ser tão brilhante quanto os melhores momentos do passado da empresa.

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