Nem todo vazamento de World of Warcraft merece nossa atenção. Entre arte conceitual de fãs disfarçada de documentos internos, screenshots sem contexto e roadmaps que convenientemente preveem exatamente o que todos querem ouvir, há motivos de sobra para sermos céticos. Porém, um vazamento específico de agosto de 2025 voltou aos holofotes da comunidade com força total, e desta vez há razões concretas para levarmos a sério o que ele sugere sobre o futuro de WoW Classic.
O que torna este caso especial? Dataminers descobriram em 16 de junho informações nos servidores internos da Blizzard que correspondem perfeitamente ao conteúdo daquele vazamento antigo. Coincidências podem acontecer, mas quando múltiplos elementos se alinham dessa forma, vale a pena investigar mais a fundo.
O Vazamento que Previu o Futuro
A imagem vazada em agosto de 2025 apresentava uma linha do tempo detalhada para o franchising de World of Warcraft, cobrindo retail, classic e outras vertentes do jogo. Na época, passou despercebida em meio ao oceano de vazamentos falsos que circulam regularmente. Contudo, agora que diversos elementos previstos se concretizaram, a comunidade está prestando atenção.
As previsões que já se confirmaram incluem: The War Within lançado no terceiro trimestre de 2024, Midnight programado para o primeiro trimestre de 2026, TBC Classic Anniversary entre o final de 2025 e início de 2026, e Mists of Pandaria em meados de 2025. Todas essas datas batem perfeitamente com a realidade que vivemos.
Projeto Camelot: O Maior Mistério
O elemento mais intrigante do vazamento é algo chamado “Projeto Camelot”, posicionado para lançamento no terceiro trimestre de 2026 - exatamente quando acontece a BlizzCon. Este projeto aparece marcado para rodar a partir da versão 1.60 do client, um salto gigantesco considerando que Classic Era e Season of Discovery atualmente operam na versão 1.15.

Para colocar em perspectiva: o Classic original terminou na versão 1.12, e a Blizzard tem construído sobre ela desde então. Um pulo para 1.60 sinaliza que Camelot está sendo desenvolvido em uma versão substancialmente mais moderna e atualizada da engine clássica do que qualquer coisa que temos nos servidores atuais.
Quem joga Classic há tempo suficiente já presenciou momentos em que atualizações de uma versão bagunçam outras versões do jogo. Lembra quando buffs mundiais novos do Season of Discovery começaram a aparecer no Classic Era? Ou quando ajustes de raid no SoD quebraram algo no Naxxramas do Era? Isso acontece como um relógio porque, aparentemente, a Blizzard lida com bancos de dados que se sobrepõem simultaneamente de forma bastante confusa.
Classic Plus ou Algo Maior?
A interpretação mais óbvia é que Camelot seja o nome código para o Classic Plus que todos esperamos. A Blizzard tem dado indícios sobre isso há muito tempo, e ninguém ficaria surpreso com seu anúncio na BlizzCon 2026. Porém, há uma segunda possibilidade igualmente interessante.
Camelot poderia funcionar como um ponto de consolidação para os realms do Classic Era - um destino permanente onde personagens de várias trilhas de progressão acabariam ficando, ao invés de estarem espalhados por diferentes clusters de servidores. Afinal, o vazamento mostra que a Blizzard planeja continuar o ciclo de fresh servers para Classic e TBC indefinidamente. Esses personagens precisarão de algum lugar para ir.
Camelot poderia ser esse reino de diferentes servidores onde os personagens permanecem enquanto a Blizzard continua rollando fresh servers eternamente. Talvez seja forçar demais a interpretação do nome - empresas de games usam codinomes o tempo todo - mas é uma possibilidade interessante.
Wrath of the Lich King Anniversary e o Fim de MoP
O vazamento também mostra Wrath of the Lich King Anniversary no quarto trimestre de 2026, bem próximo à janela de lançamento de Camelot. O roadmap oficial de 2026 da Blizzard não mencionou absolutamente nada sobre Wrath Anniversary, alimentando especulações sobre se realmente aconteceria.
A verdade é que faz todo sentido acontecer. A Blizzard viu quanto dinheiro faturou com TBC Anniversary ao relançá-lo, vendendo pacotes de upgrade e boosts. Por que não capitalizar novamente com Wrath? Alguns podem argumentar que lançar duas versões separadas de WoW tão próximas seria demais, mas a Blizzard faz isso constantemente. A maior parte da receita vem justamente dos momentos de lançamento.
Quanto a Mists of Pandaria, o vazamento não mostra Warlords of Draenor em lugar algum, o que não surpreende. Se pensarmos em como muitos jogam as expansões clássicas progressivas - basicamente raid logging - WoD até funcionaria por ter três boas raids. Mas fora dessas três raids, não há literalmente nada para fazer.
O Futuro é Remix
A dificuldade das raids só aumenta conforme avançamos nas expansões, e não faz sentido pular WoD para ir direto para Legion. Imagine a quantidade de trabalho necessária para fazer o Legion original funcionar novamente, com todas suas novas mecânicas e sistemas. Simplesmente não vale o investimento de tempo.
O futuro das expansões clássicas está nos remixes. A Blizzard já remixou MoP e Legion, e provavelmente remixará cada expansão de Cataclysm até Battle for Azeroth nos próximos anos. Remix provou ser uma forma brilhante de manter jogadores de retail engajados durante o final de um ciclo de expansão, e pode ser reciclado a cada poucos anos para que pessoas peguem recompensas que perderam anteriormente.
Para Classic, não há dúvida de que termina em MoP. O que acontecerá com esses personagens depois? Provavelmente irão para algum lugar no reino de Camelot até segunda ordem. Talvez sejam mesclados ao retail eventualmente, mas há questões sobre itens de coleção e conquistas que não existiam originalmente.
Projetos Distantes: RTS e ARPG
O vazamento mostra ainda outros projetos interessantes para o futuro mais distante. Em 2028, há menção a algo chamado Warcraft Chronicles, listado como um RTS com uma série anime ao lado. Em 2029, aparece um ARPG com uma série live-action.
Ambos soam estranhos considerando que a Blizzard já possui possivelmente os maiores sucessos desses gêneros: Starcraft para RTS e Diablo para ARPG. Por que expandir para fora de franquias que já funcionam e faturam bilhões? Diablo 4, apesar das controvérsias iniciais, gerou bem mais de 1 bilhão em receita. A lógica de negócios sugeriria focar em Diablo 5 e 6.
Ainda assim, qualquer coisa com Arthas certamente atrairá atenção. Esses projetos estão distantes o suficiente para serem apenas menções curiosas por enquanto.
O Relógio Está Correndo
Este vazamento se destaca não apenas pelo conteúdo, mas pela forma como foi validado. É extremamente raro ter dois pontos de confirmação separados - o vazamento original e dados posteriormente encontrados nos servidores de teste da Blizzard. A BlizzCon se aproxima, e em breve teremos respostas definitivas.
O ciclo infinito de fresh servers para Classic, TBC e Wrath parece estar confirmado. A Blizzard planeja manter essa roda girando indefinidamente. Estaremos jogando isso nos asilos, e talvez não seja uma piada. O que Camelot realmente será - Classic Plus, um hub consolidado ou algo completamente diferente - logo descobriremos. O futuro de World of Warcraft Classic nunca pareceu tão definido e, ao mesmo tempo, tão misterioso.